Jessica Pearson é um exemplo de que as mulheres são líderes melhores

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Jessica Pearson é um exemplo de que as mulheres são líderes melhores

Quem assiste ao seriado "Suits" da plataforma Netflix está acostumado a cenas com portas de vidro abrindo e fechando em um escritório imponente, diálogos rápidos e viradas de mesa a todo momento. Assim, dentro das variações decorridas nos episódios da série, uma constante paira no ar e nos faz admirar: a elegância de liderança da personagem Jessica Pearson, sócia majoritária do escritório Pearson & Hardman, um dos três escritórios de advocacia mais importantes de Nova Iorque.

Serenidade, clareza, consistência, firmeza e sutileza desenham a personagem de uma maneira única. Tais qualidades nos fazem pensar que, por mais que os fatos ainda sejam contrários aos objetivos de uma mulher negra, jovem e bem sucedida na selva do "distrito federal capitalista", a consequência de sua derrota ou de sua vitória será celebrada no mais justo nível de hombridade.

Parece que estas características podem ser específicas da personagem, ou que o desenho de sua trajetória seja retrato de sua personalidade, mas o fato é que muitas das atitudes desta mulher, em muitos momentos da série se justifica pelo fato dela ser...mulher.

 Mulheres são seres humanos mais empáticos, dotadas de maior visão holística, trabalham suas decisões com clareza de propósito e equilibram hemisférios cerebrais fundamentais para nortear uma organização. Combinam equilíbrio entre planejamento e inspiração, firmeza e sutileza, manifestação e fluidez. De fato, se tivéssemos sua posição ocupada pelo protagonista audaz e negociador, Harvey Specter, pelo temporário sócio majoritário, Daniel Hardman, ou até mesmo pelo ácido bajulador Louis Litt, a direção das vidas daquelas pessoas teria destinos totalmente diferentes. 

Infelizmente, muitas circunstâncias pontuais que merecem destaque na história nos são impedidas de serem discutidas aqui devido à preocupação de não gerar "spoilers". Contudo, fica a indicação de uma série bacana, com um roteiro, no mínimo, curioso e que lhe provoca sempre a clicar no próximo episódio.

 

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Diálogo no Design: Planejamento Estratégico de Cidades

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Diálogo no Design: Planejamento Estratégico de Cidades

Vivemos um momento ímpar na sociedade brasileira. Um momento de superexposição de opiniões, onde nossas posições ficam em evidência e cada vez mais o ambiente democrático se consolida. É o novo paradigma da liberdade de expressão. Hoje temos liberdade demais se comparado a outros tempos. É muitas vezes nestes ambientes que nos propomos mais a julgar os posicionamentos alheios do que construir um diálogo sinérgico com o posicionamento diferente ao nosso. Já é padrão, e é um tipo de modelo mental.

Assim, caminhamos cada vez mais inibindo a nossa potencialidade de se conectar com o outro, de avaliar as opiniões sem se prender ao automatismo da concordância ou discordância que nos assombra e aumenta nossa ansiedade e incapacidade para a construção coletiva. No cenário atual essa questão navega, principalmente, pelos posicionamentos políticos e seus reflexos ideológicos. Muitas vezes nos vemos representando e sendo representados por opiniões que são oriundas do grupo ou tema que nos identificamos. Seja ele: raça, gênero, opção sexual, senso estético, ética e comportamento moral.  São essas opiniões, manifestadas de forma extrema e intolerante, que acabam nos contaminando.

O momento da divergência política não só nos prende em uma insatisfação constante, mas também nos leva a julgar toda ideia ou proposição que surja no lado oposto. Dessa forma, a sociedade se divide em LADO A e LADO B, que se desdobram em outras esferas sociais. A dissensão política acaba sendo a origem para desconsiderar qualquer proposição ou projeto do lado oposto. Perceba que a palavra "proposição" vem do verbo propor, ou seja, apresentar uma solução, vislumbrar.

Aonde esse tipo de comportamento pode nos levar?

Será que todos nós que vivemos em comunidade não temos opiniões e ideias construtivas que merecem ser avaliadas, julgadas e complementadas? Temos muitos insights (ideias) e percepções para melhorar a vida de nossa comunidade, nosso bairro e nossa cidade. Porém, já perceberam que quando verbalizamos com alguém os nossos insights, muitas vezes eles passam por um crivo convergente de discordância ou concordância? Não raro, nosso impulso criativo e empolgação são julgados por terceiros por parecer momentos heurísticos (vem da palavra Eureca, descoberta) autossuficientes, e isso prejudica muito a interação entre as pessoas. Nossa cultura criou a ideia do gênio criativo individual, o ser brilhante, lúcido, acima dos demais. E hoje isso é apenas um comportamento que começa a se transformar.

O fato é que muitas soluções que temos e criamos são dispensadas no lixo criativo e não se tornam projetos. A realidade é que se deixarmos que somente o Estado construa soluções para o desenvolvimento de espaços sociais podemos não ter uma predominância de soluções de ganhos mútuos, mas apenas de ganhos parciais, que atendam a um determinado ator daquele sistema avaliado.

É aí que surge uma nova oportunidade. Todo projeto de cidade, território, empreendimento ou qualquer nova forma de transformação de espaços sociais que envolve atividades e um sistema socioeconômico deve ser considerada como um "Projeto". Projeto em inglês é "Design". Essa terminologia que ainda é muito enxergada apenas como ferramenta estética, está ganhando notoriedade como função metodológica, valor de processo. Quando falamos em processo, estamos pensando na sua forma mais evolutiva e determinada à construção de soluções. Hoje, o "Design Thinking", metodologia multidisciplinar focada nas necessidades humanas com o objetivo de gerar inovação ou soluções criativas de valor para organizações em relação a serviços, produtos e comunicação, está educando a maneira como grupos interagem para construir algo novo.

A determinação em construir, em colaborar, entendendo que a resultante será melhor e de mais valor do que qualquer proposição que tivemos antes, nos leva a modificar a maneira como nos relacionamos com as pessoas. Se objetivamos construir algo que seja de bem comum, precisamos investigar o que é necessário aos diferentes tipos de stakeholders (públicos interessados, participativos) de uma região. Essa investigação - como uma etnografia, uma pesquisa de comportamentos, sentimentos e motivações de alguns arquétipos sociais - deve ser feita com algumas das mais importantes manifestações humanas, a comunicação e o diálogo.

Falar em diálogo pode parecer algo que tenha o objetivo de compartilhar visões e posicionamentos, o que muitas vezes é uma ótima ferramenta de reflexão, mas que ainda não se torna uma ferramenta de construção. Sendo assim, como podemos transformar a interação coletiva e o diálogo em construção? Alinhando o diálogo a uma metodologia de projeto, alinhando o diálogo ao Design.

O Design Thinking e sua proximidade com os negócios já conquistou seu espaço na cultura corporativa mundial. Hoje em dia, é comum a utilização da metodologia em algumas regiões do país, onde o cenário corporativo que almeja ganhar vantagem competitiva utiliza a metodologia de Design Thinking em áreas como Pesquisa e Desenvolvimento, Inovação, Marketing e Recursos Humanos.

O que isso tem a ver com o planejamento de cidades? Tudo. A união da dinâmica do diálogo complementar inserido na metodologia de Design Thinking transforma a maneira como as pessoas colaboram para construir soluções em seus espaços de convivência. Transforma a determinação das pessoas e seleciona os mais engajados. O que deve ser melhorado é a forma como essa interação preocupada em construir é colocada. Ainda fazemos isso com um perfil político de articulação e não com um perfil investigador.

Mas como isso pode ser utilizado em nossa cidade? Criando Fóruns Participativos que estejam alinhados com o Planejamento Estratégico da Cidade e definindo as oportunidades de projetos a serem discutidos. Porém, os temas definidos não são temas abertos, mas sim resultantes de uma pesquisa etnográfica profunda que vai do fato percebido até a interpretação e que geram as perguntas gatilhos levadas ao momento de interação construtiva. É uma metodologia extremamente detalhada sobre a condução desse processo que permeia todos os temas de nossa cidade. As iniciativas existentes ainda não são fóruns comprometidos e determinados a inovar com conhecimento profundo de pesquisa e imersão agregando o conceito de diálogo técnico. Assim, não conseguem inserir de maneira extremamente técnica as ferramentas de diálogo em uma iniciativa de construção de projetos estratégicos e um desdobramento em escala exponencial de inovações e desenvolvimento de cidades.

Estamos desafiando você e o poder público a se engajar e conhecer essa iniciativa. Seja você uma organização da esfera privada ou social. É um novo paradigma mundial, que parte de uma capacitação profunda de modelo mental da sociedade. Temos certeza que esse tipo de ação traz uma diminuição considerável de carga na gestão pública e empodera atores da sociedade à viralizarem soluções inovadoras e sustentáveis para a comunidade. Muitas das soluções são sistêmicas e exponenciais, que não geram custo de absorção por parte da população. Entendemos que esse é o papel sociopolítico do futuro.

 

 

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Etnografia x Preconceito: Um olhar em prol da Inovação em Políticas Públicas

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Etnografia x Preconceito: Um olhar em prol da Inovação em Políticas Públicas

Vivemos em um momento bem singular na história do desenvolvimento da civilização mundial, que reflete na atual situação de maturidade sociopolítica brasileira. Quando agentes de macroambiente pressionam e nos fazem viver em tempos de exceção, provocando experiências e opiniões distintas, o conflito é inevitável. Porém, este embate ideológico e por muitas vezes visceral e enfático, é expressão de uma consciência enraizada nas questões humanas mais profundas: em nossas afinidades, tolerância e preconceito. Tratando dos preconceitos já conhecidos (raça, gênero, opção sexual, condição socioeconômica, partido etc..) os embates ganharam uma profundidade ímpar, onde o nível de discussão não se restringe mais aos comportamentos causadores das ações repressoras, mas também nas soluções educativas.

Neste embate entre repressão e educação, parte dos que enxergam esta batalha como oportunidade de manifestar seus posicionamentos solucionistas, se vêem perdidos e não muito representados. Parece que as soluções discutidas atualmente, atingem somente um perfil extremista da população, seja ele o "lado" que for, deixando os que não participam da radicalidade, longe de serem representados por ações de ambos os lados. O debate, seja ele encarado de forma enérgica e com luta brava ou burocrática e consensual, reserva mais parte para o julgamento, do que para o processo construtivo. Assim, ambos os lados ficam energicamente lutando por soluções que representam apenas parte dos envolvidos. O que causa um ciclo de manifestações intolerantes e preconceituosas baseadas em soluções superficiais e não representativas. A intolerância e preconceito se estende ao julgamento da postura de defesa a estas soluções e posicionamentos, o que qualificam os atores inseridos no conflito como símbolos atuantes das ideologias que defendem. É comum vermos hoje, classificações como "Fascistas" ou "Terroristas" para estes comportamentos extremos.

Qual seria a grande causa? A grande causa para a quase instantaneidade de julgamento, sem qualificar os aspectos solucionistas no atendimento a todos os tipos de personas e arquétipos, é a falta de uma avaliação de dados etnográficos, qualitativos, ou analíticos em relação a todos os tipos atores inseridos neste recorte. O Brasil, é um país rico para insumos etnográficos pela diversidade inerente. Para esta avaliação e definição destas personas, seriam necessários a convivência e entendimento destes comportamentos enfáticos e a criação de alguns eixos que poderiam expressar os posicionamentos. Depois de mais de 1 ano com muito "diálogo complementar" presencial e em redes sociais com pessoas de perfis diversos, cheguei a algumas interpretações  sobre dois eixos que fundamentam tanto as discussões enfáticas quanto suas práticas solucionistas. Os eixos são: Tolerância com a diferença x Afinidade com a opinião. Todos nós temos uma matriz mental desenhada por estes eixos. Todos temos um nível diferente de Tolerância e de Afinidade. Tolerância seria o nível de liberdade que você concede ao "diferente", ao que está contra as suas crenças, gostos, estética, comportamento, ética e moral. Afinidade é o nível de semelhança que você tem com uma opinião apresentada em relação a estes mesmos tópicos.

 

Na prática de relação destes eixos, podemos observar que é possível enquadrar alguns arquétipos iniciais avaliando o nível de tolerância com a diferença, e afinidades com a opinião apresentada. Estes arquétipos nos mostram o quanto uma sociedade está fragmentada, e o quanto ela deve reconhecer as diferenças, mas não ressaltá-las ou harmonizá-las. Ambas intenções dirigem para uma prática de duas alternativas: Uma para o embate ou dissenso e outra para o consenso, desenhando assim cenários limitados para práticas de transformação. 

A tolerância com a diferença, é uma maneira de conduzir a interação com outros e a afinidade com a opinião é o ponto de variação que faz com que sejamos aptos a nos livrar dos pressupostos. Veja no gráfico Abaixo:

 

Assim, chegamos aos seguintes arquétipos nos quais todos todos nós podemos oscilar. Devo lembrar que alguns de nós variamos entre estes arquétipos, e alguns não. Estes arquétipos são:

1 - Extremistas: Os extremistas são figuras simbólicas que tem baixa afinidade com o outro ou sua opinião e baixa tolerância com esta diferença. Conseguem interagir apenas com pessoas com o mesmo tipo de pensamento. As opiniões sobre soluções para questões de preconceitos (raça, gênero, opção sexual, condição socioeconômica, partido etc..) devem estar rigorosamente de acordo com suas opiniões. Costumam ser enfáticos e "ditadores" no diálogo, chegam a observações como: Você tá maluco! Você sabe o que você está falando? Podem utilizar também de deboches e serem violentos e desrespeitadores, chegando a a agressões físicas e morais.

2 - Manipuláveis: Os manipuláveis são as manifestações que tem grande afinidade com o tema em questão, e que demonstram baixa tolerância com a diferença. Costumam propagar discursos prontos e jargões dos extremistas. As opiniões deles se baseiam exatamente no que o grupo, e os extremistas pregam. Como tem grande afinidade com o tema em questão e pouca tolerância, acabam perdendo o senso crítico individual e a capacidade de diálogo, às vezes se impregnam de conceitos pré determinados. Em relação a posicionamento político: Se forem de direita, costumam falar frases como: "Nunca se viu tanta ordem como na época da Ditadura Militar", se for de esquerda, costumam dizer que "O Capitalismo é um modelo econômico opressor que nos faz lutar hoje para compensar o passivo histórico de movimentos racistas, fascistas, etc.." Estão sempre tramando um discurso de teoria conspiratória, a alguns casos até de sociedades secretas, pois acham que a descoberta deste "novo mundo" seria um remédio para suas utopias.

3 - Os questionadores: É talvez a figura mais rara. Por terem uma alta tolerância com a diferença, e grande afinidade com o tema ou opinião abordada, são acostumados a refletirem conforme indivíduos únicos. Mesmo que corroborem dos mesmos princípios, estão sempre se perguntando o porquê da existência de novos comportamentos, o porquê das outras personas estarem se colocando daquela forma. Podem ser confundidos com os Dialógicos. Costumam não se sentirem confortáveis com a  concordância por si só. Não procuram construir consensos, pensar como a massa se propõe. Não vangloriam atitudes. É talvez o papel mais difícil de realizar. Estão sempre colocando as frases de críticas como algo impessoal: "entendo o que quer dizer, mas talvez algumas pessoas não entendam o que você está dizendo, como podemos melhorar..?"

4- Os Dialógicos: Sua alta tolerância com a diferença vem de sua natureza pacífica. Acha que qualquer movimento que esteja direcionado a paz, pode ser a melhor solução. Por não terem afinidade com a opinião, costumam ser complementares e algumas vezes confundidos com os extremistas, pois sua capacidade de questionar a opinião de forma mais solucionista que os extremistas, incomoda e prejudica sua reputação. É um caldeirão de ideias que podem ser julgadas e metralhadas sem dó. Também podem ser confundidos com os extremistas. Quando encontram cenários de conflito, costumam ser mais determinados na busca pela solução de ganhos mútuos e a paz. Porém podem ser inconformados com as situações que desencadeiam em soluções simplistas. Acham que o passivo histórico deve ser considerado, porém qualquer solução de compensação do passado, só pode provocar mais conflito, o que vai contra a sua natureza pacífica. Não costuma dar soluções pensando em experiências passadas. Considera o mindset de construção mais importante e mais propenso a inserção de soluções inovadoras.

Devemos ressaltar que estes arquétipos disputam espaço em nossa maneira de interagir com outros diariamente. Entendemos que somente com o conhecimento destas personas, podemos criar políticas públicas flexíveis que atendam a massa e construam soluções inovadoras de ganhos mútuos. O ideal, é que utilizemos de mecanismos que desenvolvam a predominância das personas 03 (Questionadora) e 04 (Dialógica), que têm alta tolerância com a diferença, e a identifica.

Costumamos a fazer este tipo de trabalho de identificação de personas e construção de inovação em ambientes de diversidade.  Seja em uma empresa para um trabalho de Recursos Humanos, seja no poder público, auxiliando a construção de políticas públicas, seja em territórios de construção com stakeholders. Mais informações em www.trupcom.com

 

 

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Nem somente a cultura do fazer, nem somente a cultura do pensar.

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Nem somente a cultura do fazer, nem somente a cultura do pensar.

Nos últimos anos,  temos visto no mercado de Inovação e Empreendedorismo, uma crítica muito bem fundamentada sobre a cultura corporativa que hiper valoriza o planejamento estratégico e não consegue ter poder operacional. Percebemos que estes discursos são bem encaixados quando comparam o poder destas palavras aplicadas isoladamente. Estratégia e Operação. "Quando uma empresa tem 100% de estratégia e 0% de operação, ela não tem nada. Quando uma empresa tem 100% de operação e 0% de estratégia, ela tem alguma coisa." Esta frase foi de Felipe Anghinoni, fundador da escola Perestroika, uma escola que oferece cursos na área de inovação, empreendedorismo, economia criativa, e aprendizados "para a vida". A Perestroika ainda tem um vídeo bem motivador para quem deseja empreender: https://www.youtube.com/watch?v=Qe7dZETnPqA

Durante alguma passagem por empresas que foram criadas com um pensamento baseado na eficiência das ferramentas corporativas já conhecidas, percebi que realmente, a palavra estratégia obtêm um certo valor de "Gestão" de um processo de conceituação que coloca o operacional, ou a impulsão do fazer para testar (Beta , protótipo, MVP etc,..) em um segundo plano, ou um segundo degrau de importância. Assim, para profissionais que trabalham no mercado criativo e têm ou tiveram bastante relacionamento com outras disciplinas ou uma relação com uma equipe multidisciplinar, a conclusão sobre ter 100% de estratégia e 0% de operacional, ser zero de resultado, é muito bem entendida em nossas atuações, se considerarmos que estamos acostumados a criar sempre que lhe trazem algum problema específico a ser resolvido. Parece que a necessidade de "exposição na nossa cara"  de que somos dependentes de um maestro para orquestrar todas os impulsos criativos, está evidentemente engessada ao discurso, um conforto de tentar trabalhar hipoteticamente e não reconhecer o fracasso necessário ao aprendizado proporcionado pelo teste que só os "fazedores" conseguem saber.

Com isso, ficamos bastante entusiasmados pelos discursos dos "fazedores", pois são estes que conseguem testar suas ideias e praticar os ajustes necessários conforme o conceito do"aprender fazendo". É a ideia que mais se adequa a transformação de Era e as pesquisas de surgimento de novos negócios que vão atender novas necessidades, gerando novas necessidades e assim vai. É um conceito crítico também muito bem analisado do "espelho" que é a sociedade corporativa da sociedade industrial.

Toda a formatação de crítica ao modelo industrial replicado aos negócios, é válida, e deve ter a sua dosagem certa. É a forma como as questões são deliberadas no corporativo que desencadeia uma funcionalidade análoga ao modelo industrial, mas este é um outro assunto. É bastante evidente que a prática deliberada das reuniões de planejamento não são práticas resultante em ações, algumas vezes. Não podemos generalizar. Acho certamente que muitos já saíram de algumas reuniões com uma certa noção do que deveria ser feito e outras não. Ainda mais quando se tratavam de questões de planejamento ou questões de estratégia.

Por outro lado, nesta cultura dos "fazedores" existe uma certa manipulação que deve ser trabalhada. A maturidade de uma ideia. Uma ideia ganha maturidade quando ela ganha complementariedade, quando ela forma um ciclo vicioso de sentido que parece que realmente tudo está amarrado. Acho que isto pode ser alcançado através do conceito dos "fazedores" mais presente quando a solução atinge um contexto claro e de pouca complexidade. Vejam que complexidade não é complicação, complexidade é uma gama de necessidade e problemas interligados. Problemas de um grupo, de uma comunidade, de uma rede de relacionamentos.

Assim acho que tem um certo ponto que ainda não foi muito trabalhado na crítica construtiva dos "Fazedores", o momento de cooperação que torna a ESTRATÉGIA algo pertencente a todos: A INTERAÇÃO. Nos parece que quando grupos de pessoas se reúnem para deliberarem algum problema ou alguma situação projetual, elas não estão capacitadas a colaborar. Ainda mais quando se trata de uma questão do ambiente de sobrevivência, onde muitas vezes as ideias ganham "donos". Steve Jobs fazia isto, o jogo da "melhor ideia", talvez esta não fosse a maneira mais saudável de tratar um grupo de pessoas. Mas ele teve os seus resultados.

Se preparar para colaborar pode ser também se preparar para estressar o cérebro com o tema e não com as pessoas. É uma forma de modelo de pensamento. Como assim? Mas nós devemos estressar o cérebro?  Quando existe uma cooperação determinada na busca por soluções, o processo pode ser prazeroso em um momento e desgastante em outro. Prazeroso se chegarmos ao ambiente de interação com o propósito de colaborar, sem definir ou anotar as ações, sem defender uma alternativa pré-estabelecida, sem se preocupar com o julgamento. Apenas preocupado em contribuir. Tudo isto feito através REGRAS de manifestação verbal, do processo de escutar/falar equilibrado, do Diálogo. As anotações ou tabulações que irão nortear a prática do "FAZER" é uma outra função dentro do ambiente e definir as ações resultantes, possa ser o momento de tensão necessária.  Antigos povos indígenas norte-americanos utilizavam o "bastão da fala" para ditar regras de INTERAÇÃO. Na Grécia Antiga, uma outra técnica de interação era utilizada como instrumento político para deliberar assuntos em grupo por uma classe imponderada a praticar a dialética. David Bohm colocou o Diálogo como elemento e regra de criatividade e interação. Martin Buber desenvolveu teorias de interação para transformar conflito em cooperação. Stephen Covey, utilizava a técnica do "bastão da fala" para disseminar no mundo o conceito da comunicação empática e da terceira alternativa. Todos estes conceitos são ferramentas que enriquecem o potencial estratégico de qualquer organização. Porquê? Porque a estratégia é como um elemento-central que define o porquê da existência do negócio e quando conduzida de maneira cooperativa, faz com que a operação seja uma prateleira cheia de ações resultantes que podem ser "pegas" por qualquer um. Estas ferramentas trabalham estrategicamente para os Recursos Humanos, para a Comunicação, EndoMarketing, Intraempreendedorismo, novos Negócios, cenários que demandam estratégias de sustentabilidade de empreendimentos e outros. 

E não são somente ferramentas corporativas, são também ferramentas de instrumento político e construção de ambientes participativos. Tenho um negócio (TRUP, www.trupcom.com) com meu sócio onde nós acreditamos realmente que estas ferramentas quando aproveitadas na forma do PENSAR/FAZER, é o grande diferencial que faz com que as palavras ESTRATÉGIA E OPERAÇÃO possam caminhar  juntas sem tendenciar para um dos lados, seja no lado do PENSAR sem FAZER, ou no lado do FAZER sem muito PENSAR.

 

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Design como processo de Branding: A nova "Alma" e "Liderança" dos Negócios.

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Design como processo de Branding: A nova "Alma" e "Liderança" dos Negócios.

Muitos de nós já ouvimos a frase: "A propaganda é a alma do negócio". Isto se deve pela grande importância que a publicidade ganhou, nas últimas décadas, na comunicação da proposta de valor dos negócios. Esta comunicação sempre foi feita com tanta criatividade que a percepção de valor dos produtos e serviços passou a ser o ativo que era manifestado nos corações das pessoas, em relação ao negócio promovido, criando um sentimento latente no relacionamento com a marca.

Este relacionamento era conduzido por uma estratégia onde de certa forma, o capital criativo de diferenciação era a mensagem que a propaganda passava. Os investimentos eram e ainda são estratosféricos, e a gestão destes grandes contratos são feitos pelos profissionais de gerenciamento de Marketing dos contratantes.

Com isso, para tornar os produtos e serviços com uma comunicação visual  mais atraente, o Design é utilizado como um elemento de diferenciação estética e de atratividade, contribuindo com uma importância cada vez mais significativa. Contudo, em alguns casos de comunicação de marca, o design parece ter o seu limite, apesar da sua capacidade de gerar inovação pelo seu processo que era tangível nos projetos de Branding de novos negócios. A visão de que o Design é apenas ferramental e seu potencial de tangibilidade se apresenta exclusivamente neste quesito "visual", ainda predomina na cabeça de alguns publicitários, marketeiros e próprios designers. 

Contudo nos projetos de criação de Identidade de novos projetos, ou empresas em estágio inicial, que ainda não se expressaram ao mundo, o Design tem uma importância em criar um universo visual único para aquele produto ou serviço. Devido a esta necessidade de diferenciação, somada a seu processo de pesquisa e imersão empática no usuário ou cliente, sua capacidade de aderir novas ideias aos negócios foi influenciando cada vez mais os Designers e os negócios, estreitando esta relação. 

Hoje já podemos falar no Design atuando de maneira estratégica como o Design Thinking para criação de novos serviços na intenção de inovação nas empresas, para criação de modelos de negócios em diversos mercados, nas questões de sustentabilidade e no processo de Branding das empresas. Porém é neste último exemplo que alguns resultados ainda não são tangíveis. Quando falamos em Branding, muito se vê, discursos sobre a plataforma de marca e os pontos de contato,  mas como valor funcional, os resultados são diferentes. Parece que a utilização do potencial do Design no processo de Branding, na cultura brasileira, ainda está caminhando para a fase adulta.

Dando um exemplo bem básico e superficial e prático: O mercado de Odontologia. É de um percentual muito grande, na criação da Identidade Visual, ter um elemento ou um pictograma representativo dentário nas assinaturas visuais. Parece que esta é a primeira impressão simbólica, de percepção de uma marca ou um símbolo. Então, retratar este universo, é dizer o que a empresa faz. Neste exemplo surge algumas questões: Isto diferencia a sua marca dos outros tipos de negócio da mesma natureza? Isto cria um ativo e um Universo Visual e verbal que vai orientar toda a definição dos pilares do seu modelo de negócio? Isto é Branding? A procura para a resposta é uma boa reflexão. Pois sem esta reflexão, muitos projetos são desenvolvidos  sem um significado carregado, sem uma personalidade, sem um valor. Quando dizemos valor, utilizar as palavras qualidade, eficiência, e todas aquelas características comuns que podem qualificar os negócios, não traduz a personalidade do negócio. Estes são atributos básicos e necessários a toda empresa, mas não são  a personalidade, a essência. Buscar esta essência é tão importante não apenas como comunicação da proposta de valor, mas como a forma de definir o  posicionamento e a verdadeira "alma" do negócio.

Certamente este conceito influencia a maneira como os negócios se relacionam como os seus clientes, na definição dos canais de entrega de valor, na definição do relacionamento com parceiros estratégicos, na criação de processos internos, na gestão de recursos humanos.

Um Caso interessante de se avaliar, é o filme "O Lobo de Wall street" e como a liderança do personagem "Jordan Belfort" é um típico caso de EndoBranding tangível.  A marca da empresa era o desenho de um leão que representa uma empresa de corretores de Wall Street. Os discursos de Jordan Belfort eram a essência do negócio. Eram predadores, eram como se fossem reis, passavam por cima de tudo para conseguirem seus objetivos e os efeitos pós - discurso de Belfort gerava gritos ou rugidos aliados. Logicamente que seus meios não os qualificavam como uma empresa ética, mas tinham a sua personalidade bem definida. Este era o maior valor da empresa, e Jordan sabia como manter isto vivo.

É fácil citar o caso de Sucesso de Branding mais famoso do mundo (Apple), pois a ideia de uma maçã mordida acompanhada do slogan "Think different", influencia todos os pilares do negócio. Cria a essência, o propósito, a "alma". Simon Sinek em sua apresentação no TED TALK " Como grandes líderes Inspiram ação", fala sobre um conceito da raiz do processo de Branding, o Golden Circle. Este conceito afirma que as pessoas não compram o que você faz, ou como você faz. Elas compram o porquê você faz.

A criação do Branding é um processo extremamente estratégico, pois é uma ideia tangível, o design do negócio. Certamente o caso da "maçã desejada" não teria este potencial, se pensássemos que seria uma empresa de computadores. Um caso de Design aliado ao negócio, afinal, se não houvesse uma ideia de negócio latente na sua marca, não existiria um diferencial e uma personalidade. Portanto, dar sentido, significado, personalidade e construir a "alma" para o seu negócio, é um processo de design, legítimo.

 

 

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