Nos últimos anos,  temos visto no mercado de Inovação e Empreendedorismo, uma crítica muito bem fundamentada sobre a cultura corporativa que hiper valoriza o planejamento estratégico e não consegue ter poder operacional. Percebemos que estes discursos são bem encaixados quando comparam o poder destas palavras aplicadas isoladamente. Estratégia e Operação. "Quando uma empresa tem 100% de estratégia e 0% de operação, ela não tem nada. Quando uma empresa tem 100% de operação e 0% de estratégia, ela tem alguma coisa." Esta frase foi de Felipe Anghinoni, fundador da escola Perestroika, uma escola que oferece cursos na área de inovação, empreendedorismo, economia criativa, e aprendizados "para a vida". A Perestroika ainda tem um vídeo bem motivador para quem deseja empreender: https://www.youtube.com/watch?v=Qe7dZETnPqA

Durante alguma passagem por empresas que foram criadas com um pensamento baseado na eficiência das ferramentas corporativas já conhecidas, percebi que realmente, a palavra estratégia obtêm um certo valor de "Gestão" de um processo de conceituação que coloca o operacional, ou a impulsão do fazer para testar (Beta , protótipo, MVP etc,..) em um segundo plano, ou um segundo degrau de importância. Assim, para profissionais que trabalham no mercado criativo e têm ou tiveram bastante relacionamento com outras disciplinas ou uma relação com uma equipe multidisciplinar, a conclusão sobre ter 100% de estratégia e 0% de operacional, ser zero de resultado, é muito bem entendida em nossas atuações, se considerarmos que estamos acostumados a criar sempre que lhe trazem algum problema específico a ser resolvido. Parece que a necessidade de "exposição na nossa cara"  de que somos dependentes de um maestro para orquestrar todas os impulsos criativos, está evidentemente engessada ao discurso, um conforto de tentar trabalhar hipoteticamente e não reconhecer o fracasso necessário ao aprendizado proporcionado pelo teste que só os "fazedores" conseguem saber.

Com isso, ficamos bastante entusiasmados pelos discursos dos "fazedores", pois são estes que conseguem testar suas ideias e praticar os ajustes necessários conforme o conceito do"aprender fazendo". É a ideia que mais se adequa a transformação de Era e as pesquisas de surgimento de novos negócios que vão atender novas necessidades, gerando novas necessidades e assim vai. É um conceito crítico também muito bem analisado do "espelho" que é a sociedade corporativa da sociedade industrial.

Toda a formatação de crítica ao modelo industrial replicado aos negócios, é válida, e deve ter a sua dosagem certa. É a forma como as questões são deliberadas no corporativo que desencadeia uma funcionalidade análoga ao modelo industrial, mas este é um outro assunto. É bastante evidente que a prática deliberada das reuniões de planejamento não são práticas resultante em ações, algumas vezes. Não podemos generalizar. Acho certamente que muitos já saíram de algumas reuniões com uma certa noção do que deveria ser feito e outras não. Ainda mais quando se tratavam de questões de planejamento ou questões de estratégia.

Por outro lado, nesta cultura dos "fazedores" existe uma certa manipulação que deve ser trabalhada. A maturidade de uma ideia. Uma ideia ganha maturidade quando ela ganha complementariedade, quando ela forma um ciclo vicioso de sentido que parece que realmente tudo está amarrado. Acho que isto pode ser alcançado através do conceito dos "fazedores" mais presente quando a solução atinge um contexto claro e de pouca complexidade. Vejam que complexidade não é complicação, complexidade é uma gama de necessidade e problemas interligados. Problemas de um grupo, de uma comunidade, de uma rede de relacionamentos.

Assim acho que tem um certo ponto que ainda não foi muito trabalhado na crítica construtiva dos "Fazedores", o momento de cooperação que torna a ESTRATÉGIA algo pertencente a todos: A INTERAÇÃO. Nos parece que quando grupos de pessoas se reúnem para deliberarem algum problema ou alguma situação projetual, elas não estão capacitadas a colaborar. Ainda mais quando se trata de uma questão do ambiente de sobrevivência, onde muitas vezes as ideias ganham "donos". Steve Jobs fazia isto, o jogo da "melhor ideia", talvez esta não fosse a maneira mais saudável de tratar um grupo de pessoas. Mas ele teve os seus resultados.

Se preparar para colaborar pode ser também se preparar para estressar o cérebro com o tema e não com as pessoas. É uma forma de modelo de pensamento. Como assim? Mas nós devemos estressar o cérebro?  Quando existe uma cooperação determinada na busca por soluções, o processo pode ser prazeroso em um momento e desgastante em outro. Prazeroso se chegarmos ao ambiente de interação com o propósito de colaborar, sem definir ou anotar as ações, sem defender uma alternativa pré-estabelecida, sem se preocupar com o julgamento. Apenas preocupado em contribuir. Tudo isto feito através REGRAS de manifestação verbal, do processo de escutar/falar equilibrado, do Diálogo. As anotações ou tabulações que irão nortear a prática do "FAZER" é uma outra função dentro do ambiente e definir as ações resultantes, possa ser o momento de tensão necessária.  Antigos povos indígenas norte-americanos utilizavam o "bastão da fala" para ditar regras de INTERAÇÃO. Na Grécia Antiga, uma outra técnica de interação era utilizada como instrumento político para deliberar assuntos em grupo por uma classe imponderada a praticar a dialética. David Bohm colocou o Diálogo como elemento e regra de criatividade e interação. Martin Buber desenvolveu teorias de interação para transformar conflito em cooperação. Stephen Covey, utilizava a técnica do "bastão da fala" para disseminar no mundo o conceito da comunicação empática e da terceira alternativa. Todos estes conceitos são ferramentas que enriquecem o potencial estratégico de qualquer organização. Porquê? Porque a estratégia é como um elemento-central que define o porquê da existência do negócio e quando conduzida de maneira cooperativa, faz com que a operação seja uma prateleira cheia de ações resultantes que podem ser "pegas" por qualquer um. Estas ferramentas trabalham estrategicamente para os Recursos Humanos, para a Comunicação, EndoMarketing, Intraempreendedorismo, novos Negócios, cenários que demandam estratégias de sustentabilidade de empreendimentos e outros. 

E não são somente ferramentas corporativas, são também ferramentas de instrumento político e construção de ambientes participativos. Tenho um negócio (TRUP, www.trupcom.com) com meu sócio onde nós acreditamos realmente que estas ferramentas quando aproveitadas na forma do PENSAR/FAZER, é o grande diferencial que faz com que as palavras ESTRATÉGIA E OPERAÇÃO possam caminhar  juntas sem tendenciar para um dos lados, seja no lado do PENSAR sem FAZER, ou no lado do FAZER sem muito PENSAR.

 

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